Eu não tenho certeza da minha salvação! O que fazer? Ajudando cristãos sinceros a se assegurarem da perseverança dos santos.

bem me querA Bíblia ensina que os cristãos podem ter certeza de sua própria salvação e que isso não vem deles mesmos, mas é obra do Espírito Santo. Romanos 8.16, por exemplo, diz: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” Note que de dentro de nós, o mesmo Espírito Santo que opera a nossa adoção nos convence de que realmente somos filhos de Deus e nos habilita a clamarmos “Aba, Pai” (Rm 8.15). O Espírito é o selo de propriedade e penhor que garante nossa predestinação por parte de Deus (Efésios 1.13-14)

 

O problema é que muitos cristãos não sentem essa segurança em todo o tempo e passam a questionar a própria salvação: “Será que realmente sou salva? Será que Deus me escolheu ou terei uma surpresa terrível no último dia? Será que eu vou perseverar até o fim ou falharei diante de possíveis adversidades futuras? Por vezes tenho dúvida sobre a existência de Deus e sobre a veracidade da Palavra, será que isso significa que não sou cristão de verdade?”

 

Em primeiro lugar, quero afirmar que cristãos verdadeiros podem ter esse tipo de questionamento de tempos em tempos. Os cristãos para quem João escreve sua primeira carta estavam enfrentando esse tipo de dúvida e, por isso mesmo João lhes escreveu: “E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranquilizaremos o nosso coração; pois, se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas.” (1 João 3.19-20)

 

O coração do cristão por vezes o acusa. Além disso, o mesmo Satanás que tentou colocar dúvidas em Jesus Cristo se ele era filho de Deus (Mateus 4.6), tenta fazer o mesmo conosco por meio de seus dardos inflamados, motivo pelo qual Paulo nos ordena a usar o capacete de salvação (Efésios 6.16-17), ou seja, uma consciência de que somos, de fato, filhos de Deus.

 

O que fazer, então, quando esses pensamentos terríveis querem te derrubar? Leia, medite e decore textos da Palavra de Deus que garantem a sua segurança e ore ao Senhor para te acalmar e convencer novamente. Apresentamos aqui alguns desses textos bíblicos propícios para esses momentos de dúvida. Por exemplo, João 15.16 afirma: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda“. Se hoje você escolhe Jesus, é porque Ele te escolheu primeiro. A nossa escolha é sempre consequência da escolha dele. Se você tem frutos cristãos e tua oração por vezes é ouvida, isso só acontece porque você foi escolhido por Jesus para usufruir essas bênçãos.

 

Outro texto do evangelho de João confortante para os momentos de ataque à nossa fé é João 6.37-40: Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade Rm de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. Novamente, se você veio a Cristo em algum momento de sua vida, depositou sobre ele a sua fé, vida e amor nele, isso só aconteceu porque o Pai anteriormente já havia dado você ao Filho! Assim, existe uma segurança firme e inabalável de que o mesmo Deus que começou essa boa obra vai concluí-la até o dia da volta de Cristo (Filipenses 1.6). Todo aquele que o Pai deu ao Filho vem a ele. Este não será lançado fora e certamente será ressuscitado no último dia! Aleluia!

 

Para aumentar a sua segurança em Cristo, ajuda também se você meditar nos textos que mostram a diferença entre o cristão e aquele que não é de Deus, como Efésios 2.1-3, por exemplo: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”. O perdido não crê, mas está morto e é marionete nas mãos do mundo, da carne e do Diabo. Se essa não é a sua situação, você pode estar seguro que a vida de Cristo já foi implantada em você.

 

A 1ª carta de João apresenta três testes para tirar a dúvida se alguém pertence a Deus: santidade pessoal, amor fraternal e fé de que Jesus é realmente o Filho de Deus. Os ímpios, por outro lado, vivem no Maligno:

 

1 João 2.3 Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos.

1 João 3.6 Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.

1 João 3.18-19 Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.  19 E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranquilizaremos o nosso coração.

1 João 5.18 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca. 19 Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

 

Se você tem batalhado para viver uma vida santa (ainda que com falhas), luta por negar os seus próprios interesses em prol de seus irmãos (ainda que não perfeitamente) e crê que Jesus Cristo é o Filho de Deus encarnado que morreu na cruz para te livrar do inferno, você tem vida e eterna. Isso é obra de Deus. Você pode estar seguro que junto com outros da família da fé vocês são “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pedro 1.5).

 

Se você teve uma experiência real existencial com Jesus Cristo e foi transformado pela Palavra e ama Jesus, você pode ter certeza de que Deus não vai te deixar cair totalmente. Jesus intercede por você (Hebreus 11.25; João 17.11, 20-21) e o Pai te garante: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hebreus 13.5). A sua segurança, portanto, não está no fato de que você nunca vai falhar, mas sim no fato de que a Trindade excelsa e onipotente garante levar a bom termo a sua salvação. Cristo não te deixará escorregar das santas mãos dele: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.” (João 10.27-28)

 

Descanse, portanto, no invencível amor de Deus:

 

Romanos 8.29-39 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? 33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.  35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? 36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. 37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, 39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

 

Passos práticos que você pode dar para aumentar a sua segurança cristã:

 

  • Medite nos textos bíblicos aqui referidos e outros que falem sobre a segurança da salvação, o testemunho interno do Espírito Santo, a perseverança dos santos e a graça de Deus. Estude com afinco essas doutrinas.
  • Decore versículos bíblicos que falem de maneira especial com você.
  • Ore e jejue por essa questão específica
  • Ache cristãos maduros que possam te ajudar nesse processo e orar com e por você. A vida cristã deve ser vivida em comunidade.
  • Esforce-se para melhorar o nível de sua vida cristã prática: boas obras, santificação e amor fraternal.
  • Abuse dos meios de graça: Bíblia, oração, sacramentos, comunhão dos santos.
  • Encontre um conselheiro bíblico que te ajude a entender os processos internos do teu coração que impedem uma maior segurança cristã. Pode ter a ver com sua história de vida, personalidade, pecado não tratado, orgulho, legalismo e tantas outas facetas no nosso eu interno.

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“Meu Senhor, tu o sabes”: Por Uma Escatologia Mais Humilde

Alguns estudiosos querem saber tudo sobre o Apocalipse! Aqueles símbolos complicados que o próprio livro não interpreta são expostos como se fossem fáceis e sua interpretação certeira, sendo uma vergonha para qualquer outro estudioso pensar diferente ou, ainda pior, assumir que não sabe o significado de alguma coisa. Cores, números, tempos, bestas, cidades, pedrinhas e medidas são explicados com uma segurança de fazer inveja a João, o autor do livro.

Será que essa segurança hermenêutica exagerada e auto confiada é mesmo a melhor atitude com relação ao livro de interpretação mais difícil da Bíblia? Uma das maiores lições hermenêuticas mais importantes para interpretar o Apocalipse está no capítulo 7, versículos 13 e 14: “Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes“.

Imagine a cena: João está em meio às suas visões, acompanhado do anjo exegeta. João já viu o Soberano Deus Pai (Cap 4) e O Cordeiro Jesus Cristo (Cap. 1 e 5). Ele já recebeu dicas de interpretação de símbolos (Ap 1.20), já viu o livro selado e está no meio da abertura dos selos. Nesse contexto, o anjo exegeta lhe pergunta quem são os que se vestem de branco. O que você imagina? Uma resposta clara e precisa de João, aquele que era a pessoa mais próxima de Jesus e fez o melhor seminário (3 anos) e pós graduação (40 dias pós ressurreição) em teologia que alguém possa desejar, certo?

Errado! Não é isso o que você encontra. Encontramos a mesma resposta de Ezequiel 37: “Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes” (Ez 37.3). Ou seja, nem o próprio João, vivendo naquele contexto histórico e experimentando aquelas visões em primeira mão sabia o significado de tudo o que estava vendo!!

Creio que o ponto já está claro. Como é que nós, vivendo em outro contexto histórico totalmente diferente, depois de vinte séculos e com as visões mediadas pelo texto queremos entender perfeita e completamente os símbolos? Eu realmente creio ser possível fazer exegese do Apocalipse, mas acredito profundamente que ao fazê-la precisamos ser mais dependentes do Espírito Santo, menos dogmáticos (no sentido ruim da expressão), mais doxológicos (mais dispostos a receber o impacto das visões em vez de entendê-las totalmente) e mais humildes.

Qual de nós, sinceramente, ao ler as profecias do Antigo Testamento (sem o conhecimento do NT) diria que o Messias viria, morreria em uma cruz e, depois, se ausentaria por mais de dois mil anos? … Pois é, profecia é assim.

Que o Senhor nos ajude!

 

Publicado originalmente em portugues.logos.com

Não toqueis nos meus ungidos? Como tratar os pastores

Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas

(1 Crônicas 16.22; Salmo 105.15)

 

Muitas vezes, ao longo dos anos, esse versículo bíblico tem sido usado para a autodefesa de pastores que, por vezes, estão mais dispostos a abusar das ovelhas e enriquecer-se às custas delas do que cuidar das mesmas com a sua própria vida. Bastava algum comentário a respeito do pastor que logo alguém já citava o versículo “Não toqueis nos meus ungidos”, por vezes acompanhado da história do que a ursa fez com os meninos que chamaram Eliseu de careca. Em alguns ambientes a situação ainda é assim, em outros, o extremo oposto tem acontecido.

 

Se por um lado existem pastores estrelas, autonomeados apóstolos que se enriquecem às custas da pele das ovelhas, por outro lado tem sido muitíssimo comum, especialmente em igrejas conservadoras, que existam pastores considerados apenas funcionários de suas igrejas, que são repetidamente humilhados, desvalorizados e abandonados. A depressão em pastores tem sido comum, ainda que oculta e silenciosa, pois os pastores tentam manter a aparência de força e espiritualidade para manter a posição para sobreviver.

 

A verdade é que os pastores não são exatamente como os profetas do Antigo Testamento e todos os cristãos são ungidos: profetas, sacerdotes e reis. Mas também é verdade que os pastores são os homens escolhidos por Deus para abençoar a sua igreja de maneira especial. Em Efésios 4.11-14, Paulo fala que os pastores-mestres são um presente de Deus à igreja para o aperfeiçoamento dos santos, o bom desempenho do seu serviço, o seu desenvolvimento em direção à maturidade cristã. Os pastores expõem a palavra (1Tm 4.6), salvam seus ouvintes pelo cuidado com a doutrina (1Tm 4.16), exortam (animam, aconselham, repreendem) pessoas de todas as idades e tipos (1Tm 5.1-2; 6.17-19; Tt 2.15), prescrevem o que os cristãos devem fazer (1Tm 5.7), guardam a verdade (2Tm 1.13-14) e têm que manejar bem a palavra da verdade (2Tm 2.15).

 

Além disso, paira sobre cada um deles a ordem que Paulo deu a Timóteo:

 

Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que julgará todos os seres humanos, tanto os que estiverem vivos como os que estiverem mortos, eu ordeno a você, com toda a firmeza, o seguinte: por causa da vinda de Cristo e do seu Reino,pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência.Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir.Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade para dar atenção às lendas. Mas você, seja moderado em todas as situações. Suporte o sofrimento, faça o trabalho de um pregador do evangelho e cumpra bem o seu dever de servo de Deus. (2Tm 4.1-5, NTLH)

 

Imagine a qualificação pessoal, acadêmica, profissional e, mais importante do que tudo isso, espiritual, que alguém tem que ter para desempenhar bem todas essas funções? É por isso que a Bíblia ensina que os pastores têm que ser bem pagos! No entanto, enquanto a Forbes alista os cinco pastores mais ricos do Brasil e, de fato, muito enriquecem às custas do povo de Deus, a verdade é que muitíssimos pastores recebem muito menos do que as igrejas deveriam lhes pagar, por causa de seu árduo trabalho. Essa é a instrução bíblica:

 

Os presbíteros que fazem um bom trabalho na igreja merecem pagamento em dobro, especialmente os que se esforçam na pregação do evangelho e no ensino cristão. Pois as Escrituras Sagradas dizem: “Não amarre a boca do boi quando ele estiver pisando o trigo.” E dizem ainda: “O trabalhador merece o seu salário.” Não aceite nenhuma acusação contra qualquer presbítero, a não ser que ela seja feita por duas testemunhas, pelo menos. Repreenda publicamente os presbíteros que cometem pecados, para que os outros fiquem com medo. (1 Timóteo 5.17-20, NTLH) 

 

Paulo escreveu sua carta ao jovem pastor Timóteo para dizer a este o que ele deveria ensinar à igreja de Éfeso. Entre diversas instruções, Paulo ensinou também como a igreja deveria tratar os seus presbíteros docentes e regentes e nós podemos e devemos aprender com essas instruções. Pastores, vocês tem que ensinar as suas igrejas como é que elas devem tratar os pastores!

 

Aprendemos no verso 17 que os presbíteros da igreja são merecedores de salários dobrados, ou pagamento em dobro. Isso mostra que na época da Bíblia era comum que não somente os pastores vivessem do ministério, mas também os presbíteros regentes. Ou seja, o trabalho de cuidar da igreja de Cristo Jesus é tão árduo, sério e exigente que é totalmente justo aos olhos do Senhor que um presbítero receba salário, e salário bom, nas palavras de Paulo, um salário dobrado. Quanto àqueles que são presbíteros docentes, a quem normalmente chamamos de pastores, merecem salários dobrados e especiais. Ou seja, nós como igreja, devemos ter prazer em pagar bem os nossos pastores e, se possível, deveríamos pagar também os nossos presbíteros que se dispusessem a ser presbíteros de tempo integral. A argumentação de Paulo para fundamentar o seu ponto vem de Dt 25.4 e de Lc 10.7 e aponta que o ministério pastoral é um trabalho árduo e digno de um salário honroso.

 

Mas não adianta pagar muito bem o pastor e tratá-lo de maneira não honrosa:

 

Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui. Gálatas 6.6

Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram… Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros. Hb 13.7, 17

 

Imagine o peso de cuidar da alma de pessoas (o bem mais valioso e eterno de cada um de nós) como quem terá que explicar a Deus o trabalho que fez com cada uma delas? É por isso que Paulo, depois de alistar todos os seus sofrimentos como apóstolo, acrescenta ainda: “Além dessas e de outras coisas, ainda pesa diariamente sobre mim a preocupação que tenho por todas as igrejas” (2Co 11.28). É por isso que os pastores merecem receber o carinho, atenção, zelo e cuidado por parte de suas ovelhas.

 

Cristão, não faça o seu pastor participante apenas das tragédias e problemas, mas também das coisas boas (Gl 6.6). Lembre-se daqueles pastores que estão idosos ou já morreram (Hb 13.7), não os abandonem e esqueçam como se fossem instrumentos usados que não servem mais. Que júbilo há não poder trabalhar e ficar esquecido depois de ter se gastado tanto pela noiva de Cristo? Obedeçam e sejam submissos aos ministros da palavra a fim de aliviarem uma carga já pesada demais (Hb 13.17).

 

Portanto, os pastores são os servos escolhidos de forma especial por Deus para liderar, cuidar e edificar o povo de Deus. São os principais portadores da palavra de Deus (profetas). Recebem de Deus um dom especial para exercerem os seus ministérios (ungidos). A palavra diz que eles devem ser cuidados de maneira especial, julgados de maneira especial e punidos de maneira exemplar, quando esse for o caso. Assim sendo, tudo sendo entendido da maneira correta, não vejo problema em usar este texto para ensinar a igreja a respeito dos pastores: “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas”. Que o Senhor ajude as igrejas a cuidarem melhor de seus guias.

Publicado originalmente em portugues.logos.com

 

O Trovão é a Voz de Deus: Salmo 29

Quando li o Salmo 29 pela primeira vez como um pastor procurando um texto para pregar, pensei que o Salmo 29 seria o texto perfeito para falar a respeito da Bíblia, afinal poucos textos falam de maneira tão poderosa sobre “a voz de Deus”. Depois de ler o texto algumas vezes sem entendê-lo direito (afinal, eu estava procurando o que o texto falava sobre a Bíblia), desisti de pregá-lo no dia da Bíblia e resolvi continuar estudando.

 

Li diversas vezes, fiz minha própria tradução (veja abaixo), estudei o contexto histórico-religioso-cultural e fiquei cada vez mais impressionado com o que vi. O Salmo 29 fala sobre a voz de Deus, mas fala sobre como essa voz pode ser percebida nos trovões e tempestades. Leiamos o texto antes de continuar:

 

Salmo de DaviAtribuí a YAWEH filhos de DeusAtribuí a YAWEH glória e força
Atribuí a YAWEH a glória do seu nomeProstrai a YAWEH na beleza da [sua] santidade
[A] voz de YAWEH [está] sobre as águasTroveja YAWEH sobre as muitas águas
A voz de YAWEH é poderosaA voz de YAWEH é majestosa
A voz de YAWEH quebra cedrosYAWEH arrebenta cedros do Líbano
Ele os faz saltar como bezerroLíbano e Siriom como crias de bois selvagens
A voz de YAWEH despede chamas de fogo
A voz de YAWEH faz contorcer o desertoYAWEH faz contorcer o deserto de Kadesh
A voz de YAWEH faz contorcer no parto as cervase desnuda os bosquesNo seu templo todos dizem glória
YAWEH está assentado sobre o dilúvioYAWEH como rei, sentará para sempre
YAWEH dá força ao seu povoYAWEH abençoa seu povo com shalom

 

Vamos entender o contexto. Israel estava circundada por nações que adoravam deuses diferentes de Yahweh. O principal deus na região de Israel era Baal. Baal era o deus do clima, da chuva e do trovão e consequentemente da agricultura e da fertilidade. Havia a crença de que ele era morto por Moot no verão e ressuscitado por Astarote (deusa da fertilidade, sexualidade e da guerra), trazendo as chuvas necessárias para a fertilidade da terra. O culto à Baal envolvia prostituição cultual e orgias, visando de alguma forma influenciar a atividade de Astarote que visava ressuscitar Baal. Muitas vezes Israel caiu na tentação de adorar Baal e Astarote.

Baal Relief
Imagem disponível no Logos Bible Software

 

É nesse contexto cuja principal divindade era o “deus da tempestade” que Davi escreveu esse Salmo, convidando as pessoas a adorarem Yahweh, o verdadeiro Deus da tempestade. Os dois primeiros versículos são um convite à adoração: “Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e força. Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade”.

 

Nos versículos 3 a 9 a personagem principal é a voz de Deus. No entanto, em vez de falar sobre a Bíblia, “a voz do Yahweh” nesse texto é o trovão. Em vez de focar na revelação especial de Deus na Bíblia, Davi resolveu focar em um evento específico da revelação geral: os trovões.

 

A Wikipedia afirma que apenas 1% da energia do evento atmosférico que gera o raio e o trovão é transformada em som! O resto é calor e luz. Deus usou trovões na Bíblia como sinal de julgamento (Êxodo 9.23s; 1Sm 2.10; 7.10; 12.17-18; Sl 18.13; Is 29.6; Ap 8.5; 11.19; 16.18), como parte de sua revelação no Monte Sinai (Êxodo 19.16, 19; 20.18) e algures (Jó 26.14; 28.26; 36.29; 37.2, 4-5; 38.25; Sl 77.17-18; 81.7; 104.7; Jr 10.13, 51.16; Ap 4.5). Além do Salmo 29, outros textos falam do trovão como a voz de Deus (2Sm 22.14; Jó 40.9; João 12.29; Ap 6.1; 10.3-4; 14.2).

 

Yahweh é o Senhor das tempestades e dos trovões e não Baal! Yahweh é o Senhor das tempestades e dos trovões e não a mãe natureza ou o acaso. Deus fala por meios dos trovões, ele julga e ele dá a conhecer do seu poder. As características que vemos da voz de Deus (trovões) nesse salmo são: a voz de Deus está sobre as águas (v. 3), a voz do Senhor é poderosa (v. 4), a voz do Senhor é destruidora (v. 5), a voz do Senhor é inquietante (v. 6); a voz do Senhor traz fogo consigo (v. 7); a voz do Senhor faz tudo tremer (v. 8); a voz do Senhor cria e destrói (v. 9); a voz do Senhor evoca glória!

 

Na última parte do Salmo, depois de conclamar os filhos de Deus que louvem a Deus e desrever os trovões (a voz de Deus) ao ponto de evocar glória o salmista aplica a mensagem construída até aqui: “O Senhor preside aos dilúvios; como rei, o Senhor presidirá para sempre. O Senhor dá força ao seu povo, o Senhor abençoa com paz ao seu povo.” Colocando em pontos, a aplicação de Davi é: (1) Deus Yahweh é soberano sobre as tempestades (e não Baal) e (2) Esse Deus totalmente poderoso e temível tem uma aliança de amor com seu povo, pela qual lhes promete fortalecer e abençoar com paz.

 

O Deus dos judeus, Yahweh, o Deus Pai de Jesus Cristo é o Senhor do dilúvio, das tempestades, dos raios, dos furacões e dos tsunamis. Ele é o Senhor cuja voz ribomba e faz tudo tremer e gritar: glória! Ao mesmo tempo, ele é o Deus que usa todo o seu poder, para fortalecer e dar paz àqueles que o amam por meio de Jesus Cristo.

 

Aplicações: (1) na próxima tempestade, procure ouvir a Deus, bem como em outros fenômenos da natureza. (2) Reconheça a glória desse Deus Todo-Poderoso. (3) Apresente a verdade de Deus para um mundo que apresenta outros deuses (Gaia, ciência) e explicações para os fenômenos da criação de Deus. (4) Tema Yahweh, o verdadeiro Senhor das tempestades. (5) Procure em Yahweh a força e paz de que você precisa.

 

Publicado originalmente em portugues.logos.com

Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu (Mt 6.10): Agora Mexeu Comigo!

Existe um sentido em que orar “santificado seja o teu nome” e “venha o teu reino” é menos pessoal do que orar esse terceiro pedido da “oração do Pai Nosso”. “Seja feita a tua vontade” diz respeito à vontade de Deus prevalecendo no mundo e, dessa forma, prevalecendo também sobre a minha própria vontade. É aí que a porca torce o rabo!

Uma das faculdades do nosso coração (no pensamento bíblico, e da mente, no pensamento contemporâneo) é a vontade. Junto com a razão, as emoções e a fé, a vontade tem um papel muito importante em nossa vida. A Bíblia usa vários termos para se referir à nossa vontade: desejos, concupiscência, fome, sede, anseio.

A nossa vontade depende de uma série de outros fatores mais profundos que formam a nossa visão de mundo: história de vida, constituição genética, convívio familiar, influência da cultura/sociedade e ação sobrenatural sobre nós. Assim, as nossas vontades revelam em grande medida quem somos. O pecado de nossos primeiros pais e representantes fez com que a imagem de Deus em nós se deteriorasse e, dessa forma, a nossa vontade se corrompeu.

Adão e Eva desejaram ser como Deus e comeram do fruto proibido. Caim desejou ser aceito por Deus independente de seu procedimento e resolveu matar seu irmão ao ver seu desejo frustrado. Ele ouviu de Deus algo que é verdadeiro a respeito de todos os pecadores: “o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.7). O povo que Deus libertou do Egito tinha uma cerviz dura (Êx 32.9), ou seja, tinha grande dificuldade de se submeter à vontade de Deus, enquanto aspirava pelas condições da escravidão em vez da liberdade junto a Deus. Davi teve vontade de possuir Bate-Seba (2Sm 11). Os profetas advertiam o povo por se entregarem às suas vontades pecaminosas e Provérbios adverte contra várias vontades danosas. João parece implicar que o mundo anda de acordo com as vontades da carne e dos olhos (1Jo 2.16-17). Paulo diz que uma das punições de Deus aos homens que o conhecem e o desprezam, é entregar-lhes às vontade do seu próprio coração (Rm 1.24) e que o pecado em nós faz com que os mandamentos despertem em nós toda a sorte de concupiscências (Rm 7.8). A nossa natureza pecaminosa gera desejos pecaminosos contra os quais a única solução é andar no Espírito (Gl 5.16, 24). Paulo chama esses desejos pecaminosos de concupiscência do engano (Ef 4.22).

Em suma, por causa do pecado cometido pelo nosso representante, Adão, o nosso coração e mente foram corrompidos e o resultado é que temos uma tendência pecaminosa “natural” de desejar aquilo que é contrário à vontade de Deus. Queremos receber louvor em vez de dá-lo, queremos ter coisas em vez de dar e dispô-las ao serviço de Deus, queremos que as pessoas e Deus se submetam à nossa vontade nas mínimas coisas e nas grandes também. Olhamos coisas e queremos, mesmo quando sabemos serem erradas. Queremos lucro, sucesso, poder, prazeres, bens materiais, comida em excesso, subjugar outros… Queremos que a nossa vontade seja feita nos céus e na terra!

É por isso que o terceiro pedido da oração dominical nos confronta tanto. O próprio Jesus teve que orar essa oração quando a sua vontade humana e a do Pai entraram em conflito: “Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade” (Mt 26:42). Após orar essa oração Jesus crucificou a sua própria vontade e voluntariamente se sacrificou.

Esse pedido da oração dominical é para que Deus realize a sua vontade boa, perfeita e agradável na terra da mesma forma que essa vontade é feita no céu, o lugar do trono de Deus, onde os santos anjos o servem e adoram. Entre as dimensões desse cumprimento estão as dimensões cósmica, nacional, eclesiástica e pessoal. Na dimensão cósmica o pedido é para que tudo o que Deus criou cumpra o papel original determinado por Deus, é um pedido por shalom. Na dimensão nacional é um pedido para que a nação aprove leis e tome decisões que seram favoráveis à vontade revelaca na Palavra. Do ponto de vista eclesiástico, seja feita a tua vontade, é um pedido para que a igreja de Jesus Cristo abandone a competição entre as denominações, a politicagem e os escândalos e cumpra o seu papel de ser coluna e baluarte da verdade, enquanto ao mesmo tempo se preocupa em cuidar dos pobres. Finalmente, na dimensão pessoal, esse pedido expressa um clamor por socorro na decisão de viver de acordo com a vontade de Deus, crucificando a própria vontade. É uma decisão/pedido de viver uma vida de santidade, onde a vontade revelada de Deus nas Escrituras se torna o guia prático para as decisões e atitudes diárias em todos os contextos em que vivemos e papéis sociais que exerocamos. Leon Morris diz que o pedido “Não aponta para uma aquiescência passiva, mas para uma identificação ativa do adorador com a consumação do propósito divino; se nós oramos isso, devemos viver dessa forma”.

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Finalmente, existe um aspecto escatológico nesse pedido também. Craig Keener o comenta da seguinte forma: “A santificação do nome de Deus, a consumação de seu reino e o fazer de sua vontade são todas variações da mesma promessa do fim dos tempos: tudo será arrumado algum dia… Aqueles que anseiam pela vontade de Deus na terra no futuro, devem viver consistentemente com aquele desejo no presente, trabalhando pela justiça e procurando fazer a vontade dele aqui (6.33; 26.39)”.

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Eu e você temos vontades que não agradam a Deus. O nosso natural não é obedecer aos mandamentos de Deus. Assim, precisamos lutar para conformar as nossas vontades à dele, fazendo morrer as nossas vontades pecaminosas e vendo o reino dele se consumar em nossa vida e o nome dele santificado por nosso intermédio. Quais são as tuas vontades que têm contrariado a vontade revelada de Deus? Quais são as áreas de sua vida ou hábitos pecaminosos que precisam ser crucificados? O que você precisa renunciar? Quais são as coisas que você não gosta de fazer, mas que refletem a vontade de Deus e, portanto, tem que ser feitas? Essa é a nossa luta de cada dia. Conformarmo-nos à vontade dele e encontrarmos, então, alegria e plenitude ao fazê-lo. Seja feita a tua vontade, Senhor, como no céu, também sobre a terra (γενηθήτω τὸ θέλημά σου, ὡς ἐν οὐρανῷ καὶ ἐπὶ γῆς•)

Tiago 4.13-17: Como fazer projetos pessoais

Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna. Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado. (Tiago 4.13-17, NVI)

Ideia exegética: Tiago exorta alguns cristãos comerciantes que estavam agindo de forma orgulhosa ao realizarem seus projetos pessoais sem considerar a vontade soberana de Deus, mostrando que ao planejar eles deveriam (1) considerar a fragilidade humana, (2) reconhecer a soberania de Deus e entender que sua soberba é pecado.

Ideia Homilética: O modo correto de realizarmos projetos pessoais é (1) entendendo a fragilidade  e brevidade de nossas vidas, (2) reconhecendo a soberania de Deus em nosso coração e discurso (3) confessando o pecado da pretensa autosuficiência.