Escritura

Será você como um bicho que morre? (Salmo 49)

Para o mestre de música. Salmo dos coraítas.

1 Ouçam isto vocês, todos os povos;

escutem, todos os que vivem neste mundo,

2 gente do povo, homens importantes,

ricos e pobres igualmente:

3 A minha boca falará com sabedoria;

a meditação do meu coração

trará entendimento.

4 Inclinarei os meus ouvidos a um provérbio;

com a harpa exporei o meu enigma:

Esse é um salmo diferente da maioria dos salmos. É um salmo de sabedoria, estilo de escrita parecido com o de Eclesiastes e Provérbios. É um salmo para ser considerado e ponderado por todo tipo de gente: gente do povo, homens importantes, ricos e pobres, em suma, todos os que vivem no mundo. É um salmo que traz sabedoria, meditação de um sábio, traz entendimento. Um cântico em forma de provérbio e de enigma.

 

Por que deverei temer,

    quando vierem dias maus,

quando inimigos traiçoeiros me cercarem,

aqueles que confiam em seus bens

e se gabam de suas muitas riquezas?

Homem algum pode redimir seu irmão

ou pagar a Deus o preço de sua vida,

pois o resgate de uma vida não tem preço.

Não há pagamento que o livre

para que viva para sempre

e não sofra decomposição.

10 Pois todos podem ver que os sábios morrem,

como perecem o tolo e o insensato

e para outros deixam os seus bens.

11 Seus túmulos serão suas moradas

    para sempre,

suas habitações de geração em geração,

ainda que tenham dado seus nomes a terras.

 

É aqui que começa o conteúdo do salmo propriamente dito, visto que os primeiros versos são uma introdução. O salmista começa com uma pergunta retórica: “Por que hei de eu temer nos dias da tribulação?” (Sl 49.5, ARA). Sendo uma pergunta retórica, podemos dizer que esconde-se nela uma decisão: eu não vou temer no dia da tribulação! Qual é a causa da tribulação do salmista? Ele mesmo apresenta uma descrição daqueles que estavam transformando seus dias em dias de tribulação e de lutas:

  • homens traiçoeiros
  • pessoas que confiam em seus bens
  • homens que se gabam de suas riquezas
  • homens que dão seus nomes às terras

Esses homens, aquele que normalmente são temidos pelos homens, estavam perseguindo o salmista e tentando transformar seus dias em inferno. Nos versos 7-11, entretanto, a mensagem do salmista para eles é a seguinte: O dinheiro de vocês não compra a vida, vocês vão morrer; seus corpos vão de decompor, seus bens ficarão para outros e sua casa será a sepultura! Então, o salmista apresenta a conclusão desses pensamentos:

 

12 O homem, mesmo que muito importante,

    não vive para sempre;

é como os animais, que perecem.

 

Aquele que vive para aumentar suas riquezas por quaisquer meios e para construir uma reputação e um nome para si mesmo e se esquece de Deus, é como um bicho que morre. Ele simplesmente é lançado na sepultura, para ele não há esperança pós-morte. É isso que o salmista vai explicar na próxima estrofe:

 

13 Este é o destino

    dos que confiam em si mesmos,

e dos seus seguidores,

    que aprovam o que eles dizem. (Pausa)

14 Como ovelhas,

    estão destinados à sepultura,

e a morte lhes servirá de pastor.

Pela manhã os justos triunfarão sobre eles!

A aparência deles se desfará na sepultura,

longe das suas gloriosas mansões.

15 Mas Deus redimirá a minha vida da sepultura

    e me levará para si. (Pausa)

 

Aqui o salmista explicita qual era o problema desses que estavam lhe perseguindo e que faria toda a diferença com relação a sua situação depois da morte. A morte como de bicho, é o destino daqueles que confiam em si mesmo e dos seus seguidores. Eles morrerão como uma ovelha e a morte será o seu pastor (cuidador, guia, amparo). Perceba o contraste entre esses que tem a morte como seu pastor e aqueles que tem o SENHOR como seu pastor (Sl 23)! Toda a sua beleza caramente mantida por meio de plásticas, cremes e academias sem fim se desfará na sepultura. As suas mansões ficarão para outros, enquanto eles morarão debaixo da terra. Mas os justos (aqueles do Salmo 1) no final (pela manhã) se darão bem: triunfarão sobre os seus perseguidores. A grande bênção dos justos é esta descrita no verso 15: “Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si.” (Sl 49.15, ARA). A clara diferença entre os que confiam em si mesmos e aqueles que confiam no Senhor é que os últimos serão resgatados (redimidos) da morte e levados para estar com Deus, enquanto os outros, morrem como animais. Agora o salmista aplica esse ensino aos justos, com uma lição bastante prática:

 

16 Não se aborreça quando alguém se enriquece

e aumenta o luxo de sua casa;

17 pois nada levará consigo quando morrer;

não descerá com ele o seu esplendor.

18 Embora em vida ele se parabenize:

“Todos o elogiam, pois você está prosperando”,

19 ele se juntará aos seus antepassados,

    que nunca mais verão a luz.

20 O homem, mesmo que muito importante,

    não tem entendimento;

é como os animais, que perecem.

 

O Salmo, quem diria, termina com uma palavra de advertência a todos: não tenham inveja, nem medo daqueles que começam a se enriquecer: “Não temas, quando alguém se enriquecer” (ARA). Não fique aborrecido de alguém fica rico, compra uma casa luxuosa, passa a ser apreciado por todos e se torna muito importante. A razão do salmista é a mesma de todo o salmo: essas pessoas não levarão sua opulência à sepultura, eles se juntarão àqueles que já morreram e não mais verão a luz, pois “O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem” (Sl 49.20, ARA).

 

De que lado você está? Entre aqueles que confiam em Deus e em Cristo para salvação e proteção? Ou entre aqueles que confiam em si mesmos e desprezam a Deus e a Jesus, pois acham que conseguirão concluir seus próprio planos e estão muito bem sem eles? Você confia em Deus para a sua vida e morte? Creia em Jesus como seu Salvador e tenha segurança para viver e morrer, não como um bicho, mas como alguém que será cuidado pelo próprio Senhor Criador do Universo. Concluímos com perguntas e respostas escritas em 1563, no Catecismo de Heidelberg:

 

1. Qual é o seu único fundamento, na vida e na morte?

O meu único fundamento é meu fiel Salvador Jesus Cristo.1 A Ele pertenço, em corpo e alma, na vida e na morte,2 e não pertenço a mim mesmo.3 Com seu precioso sangue Ele pagou4 por todos os meus pecados e me libertou de todo o domínio do diabo.5 Agora Ele me protege de tal maneira6 que, sem a vontade do meu Pai do céu, não perderei nem um fio de cabelo.7 Além disto, tudo coopera para o meu bem.8 Por isso, pelo Espírito Santo, Ele também me garante a vida eterna9 e me torna disposto a viver para Ele, daqui em diante, de todo o coração.10

(1) 1Co 3:23; Tt 2:14. (2) Rm 14:8; 1Ts 5:9,10. (3) 1Co 6:19,20. (4) 1Pe 1:18,19; 1Jo 1:7; 1Jo 2:2,12. (5) Jo 8:34-36; Hb 2:14,15; 1Jo 3:8. (6) Jo 6:39; Jo 10:27-30; 2Ts 3:3; 1Pe 1:5. (7) Mt 10:29,30; Lc 21:18. (8) Rm 8:28. (9) Rm 8:16; 2Co 1:22; 2Co 5:5; Ef 1:13,14. (10) Rm 8:14; 1Jo 3:3.

2. O que você deve saber para viver e morrer neste fundamento?

Primeiro: como são grandes meus pecados e minha miséria.1 Segundo: como sou salvo de meus pecados e de minha miséria.2 Terceiro: como devo ser grato a Deus por tal salvação.3

(1) Mt 9:12; Jo 9:41; Rm 3:10; 1Jo 1:9,10. (2) Lc 24:46,47; Jo 17:3; At 4:12; At 10:43; 1Co 6:11; Tt 3:3-7. (3) Sl 50:14,15; Sl 116:12,13; Mt 5:16; Rm 6:12,13; Ef 5:10; 2Tm 2:15; 1Pe 2:9,12. Veja também Mt 11:28-30; Ef 5:8.

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