Eu te amo! (Malaquias 1.1-5)

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O profeta Malaquias (Mensageiro de Yahweh) escreveu em torno do ano de 450 a.C., próximo da época de Neemias, Esdras, Ageu e Zacarias, pregando ao povo que havia voltado do exílio Babilônico. Se por um lado Israel não mais se prostrava diante de ídolos abomináveis, por outro, o coração também não estava totalmente entregue ao Senhor. Aqueles que voltaram o exílio cumpriam suas obrigações religiosas, mas suas prioridades estavam mais na reconstrução da própria vida e satisfação dos próprios prazeres do que em agradar Yahweh.

É nesse contexto que Deus chama Malaquias para montar um tribunal onde o Israel pós-exílico seria julgado. É por isso que o texto. É por isso que o título que Malaquias deu ao livro é “Sentença pronunciada pelo Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias” (Malaquias 1.1, ARA). A primeira acusação que Deus faz contra o povo é: Embora eu ame vocês, vocês teimam em duvidar do meu amor. Deu vai apresentar outras acusações práticas contra o povo, mas a primeira acusação traz à tona a razão pela qual o povo não estava andando por caminhos que agradavam a Deus. Era um problema de amor.

Quando você diz: “eu te amo”, o que você espera como resposta? É claro que todos esperam um “eu também te amo”, ou palavras semelhantes de afirmação de amor. Não era assim com o Israel pós-exílico. Deus dizia, “Eu amo vocês” e a resposta do coração deles era, “Em que o Senhor nos ama?”. Havia uma falta de amor por parte do povo porque havia dúvidas com relação ao amor de Deus. Na prática eles não amavam a Deus porque não acreditavam que Deus os amasse. Todos os demais pecados: o desprezo pelo culto, a infidelidade conjugal, o roubo nos dízimos e outros, tinham como origem o problema da falta de amor do povo para com Deus e, esta, era gerada pelo questionamento da bondade amorosa de Deus.

Assim como filhos que duvidam do amor paterno quando disciplinados, Israel tinha dificuldade em acreditar no amor de um Deus que os havia mandado para o exílio e ainda os mantinha subjugados a outros povos. Ao olhar a destruição de Jerusalém e lembrar das cenas terríveis de violência, era difícil confiar no amor de Deus. Deus poderia ter relembrado o povo de que o sofrimento era consequência dos seus próprios pecados e idolatrias, mas não foi esse argumento que Deus resolveu apresentar no tribunal.

Em vez disso, Deus os chamou a considerar as diferenças no relacionamento entre Deus e Israel e Deus e Edom: “Esaú e Jacó eram irmãos, no entanto, eu tenho amado Jacó e os seus descendentes, mas tenho odiado Esaú e os seus descendentes.” (Malaquias 1.2-3, NTLH). Deus convoca o povo a comparar a maneira que ele tem tratado Israel com a maneira que ele trata Edom.

A nação de Edom é uma das mais importantes na história bíblica. Quando Jacó volta da casa de Labão, seu irmão Esaú se muda para uma região montanhosa que com seus descendentes se transforma na nação de Edom. Sempre que Deus fala de Edom na Bíblia, é para falar de sua punição e destruição. Em nosso texto, Deus promete destruir Edom tantas vezes quantas eles se reconstruíssem. Em Obadias, Deus promete destruí-los pelo tanto que eles fizeram Israel sofrer. Ao longo das páginas da Bíblia é possível confirmar, Deus odeia Edom e por isso mesmo, a nação foi totalmente destruída  e tudo o que resta lá hoje são ruínas e sítio arqueológico. Eles, de fato, viraram o “Povo-Contra-Quem-O-Senhor-Está-Irado-Para-Sempre”.

O que fica claro, no entanto, tanto nas biografias de Jacó e Esaú, quando na história de Israel e Edom é que um não era melhor do que o outro. Ambos eram pecadores idólatras. Mas é Deus mesmo quem diz: “E ainda no eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de -Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”. (Romanos 9.11-13).

O argumento de Deus é: quando Eu odeio um povo eu o destruo completamente (vejam Edom), o fato de vocês terem voltado do exílio e estarem se reconstruindo é prova do meu amor por vocês. Deus desafia o povo a comprovar essa verdade no futuro, quando Edom já não mais existisse e então: “Os vossos olhos o verão, e vós direis: Grande é o Senhor também fora dos limites de Israel”.

Qual é o objetivo de Deus com esse primeiro oráculo (ou sessão de julgamento)? O objetivo era o povo de Israel comparar a maneira que Deus os tratava com a maneira que tratava Edom e concluir que Deus é grande! Deus quer que sua glória e poder sejam reconhecidos. Deus quer ser o motivo maior de admiração, devoção e amor do seu povo, pois ele nos ama e quer nos dar o que Ele tem de melhor: Ele mesmo.

Nós também tendemos a duvidar do amor de Deus, às vezes formalmente e normalmente, na prática, especialmente quando estamos sofrendo. Deus te chama ao seu tribunal e te convoca a abrir os olhos para o que Ele tem feito em tua vida e a maneira que tem te preservado mesmo em meio às dores. O objetivo de Deus é que reconheçamos a grandeza dele. Ele faz isso por amor. O mesmo amor que fez com que Deus Filho morresse em uma cruz pelos nossos pecados, é o amor que perseguirá os seus até mesmo com sofrimento, se necessário for, a fim de que vejamos e proclamemos: “Grande é o Senhor também fora dos limites de Israel”.

 

Se você quer ler mais a respeito da maneira de Deus tratar Edom na Bíblia, veja: Gênesis 25—28; 32—36; Números 20; 1 Reis 11.14-22; 2 Reis 8.22; 2 Crônicas 21.10; 25.11-14; Salmo 60.8; 108.9; 137.7; Isaías 34.5—17; Jeremias 49.7-22; Ezequiel 25.12-14; 35; Joel 3.19; Amós 1.11-12; Obadias; Mal 1.1-5; Romanos 9.11-16; Hebreus 12.14-17.

 

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