No Natal celebramos a Encarnação de Deus: Um Estudo em Hebreus

img_1565A carta aos Hebreus é um dos escritos mais teológicos do Novo Testamento. O autor visa provar a superioridade de Jesus Cristo com uma argumentação lógica e profunda. A carta fala sobre anjos, sacerdócio, velha aliança, lei e apostasia, apenas para citar uns poucos assuntos. O assunto que me saltou aos olhos lendo a carta nesses últimos dias, no entanto, foi o foco do autor no Cristo encarnado. Por que foi necessário que Deus se encarnasse? Vejamos as respostas do autor da carta aos Hebreus:

1) A encarnação foi necessária para que Jesus provasse a morte em lugar de todo homem e destruísse o poder diabólico da morte.

No capítulo 2 de Hebreus, o autor ainda está explicando porque Jesus é superior aos anjos. O autor, então, afirma, baseado no Salmo 8, que Jesus foi feito por um pouco de tempo menor do que os anjos, em seu estado de humilhação (Hb 2.6-8) a fim de que “pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.” A segunda pessoa da Trindade, uniu de uma vez por a sua natureza divina perfeita com a natureza humana. Por meio da encarnação, Jesus se tornou nosso irmão (Hb 2.11-12, 17) e como ser humano, ele morreu e destruiu com sua morte o Diabo e livrou os seus irmãos (nós) que, doutra forma, estavam sujeitos à escravidão (Hb 2.14-15)

2) A encarnação foi necessária para que Jesus pudesse atuar como nosso grande sumo sacerdote

O final do capítulo 2 de Hebreus antecipa o assunto da superioridade do sacerdócio de Jesus. Ao fazê-lo, o autor apresenta claramente uma segunda razão de ser da encarnação: “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.” (Hb 2.17-18).

O sacerdócio Araônico se provou falho e incapaz de realmente purificar os seres humanos dos seus pecados, o que o próprio Antigo Testamento confirma. Assim, era necessário que uma nova ordem sacerdotal fosse estabelecida. O sacerdócio, no entanto, é uma instituição humana. Era necessário um homem que pudesse comparecer na presença de Deus como representante dos demais homens, oferecendo um sacrifício com real valor para apaziguar a ira de Deus. A encarnação permitiu que Jesus fosse esse sacerdote, alem disso, o sofrimento vivido por Jesus em sua humilhação, faz com que ele tenha compaixão de nós quando achegamos a Ele (Hb 4.15): “Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.” (Hb 5.7-10).

Como nosso grande sumo sacerdote, Jesus entrou na presença de Deus como nosso precursor (Hb 6.20), intercede por nós junto ao Pai (Hb 7.25), traz para nós a aliança superior com Deus prometida em Jeremias 31.31-34 (Hb 8.6-13) e, ainda mais central, ofereceu um sacrifício perfeito e definitivo, aniquilando o pecado: “assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.” (Hb 9.28).

A encarnação foi necessária, portanto, para que Jesus pudesse atuar como nosso sumo sacerdote, sendo ao mesmo tempo o sacerdote e a oferta e libertando-nos do pecados e da morte.

3) A encarnação de Jesus foi necessária para que por meio de sua obra e fortalecidos pelo seu exemplo, ofereçamos nossas vidas como sacrifício a Deus.

Depois de estabelecer a superioridade do sacerdócio de Cristo, o autor aos Hebreus se volta no final de sua carta à aplicação de como os cristãos deveriam viver. O desafio do autor é que os cristãos devem continuar firmes com Cristo, a despeito das perseguições e do risco que isso significar à vida deles (Hb 10.23, 26-27). Os destinatários dessa carta estavam sofrendo perseguição violenta e correndo risco de morrerem por causa do nome de Jesus Cristo. O abandono da fé para preservar a própria vida era uma tentação real. É nesse contexto que o autor chama os cristãos à ficarem firmes na fé (Hb 11). É nesse contexto que o autor convoca os Hebreus a aguentarem firmes até o sangue (Hb 12.4). Se necessário fosse, portanto, os cristãos deveriam oferecer suas próprias vidas como sacrifício a Deus, por meio do grande sumo-sacerdote, Jesus Cristo: “Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta. Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério. Na verdade, não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir. Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz.” (Hb 13.12-16)

Conclusão

É possível afirmar que a encarnação é, em certo sentido, o centro da teologia de Hebreus. O autor de Hebreus argumenta a superioridade de Jesus Cristo como homem. Isso não quer dizer que a divindade e pré existência de Jesus sejam esquecidas. Jesus é “o resplendor da glória e a expressão exata do seu [de Deus] Ser”(Hb 1.3). Ele também interpreta o Salmo 45 como sendo uma referência a Jesus Cristo: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” (Hb 1.8). Jesus é o primogênito de Deus que foi introduzido no mundo (Hb 1.6).

O Natal é muito mais do que a comemoração do nascimento de alguém importante; o Natal é a comemoração da encarnação de Deus. A segunda pessoa da Trindade se encarnou e tornou-se um de nós. Ele se encarnou para nos livrar do pecado e da morte. Ele se encarnou para ser o nosso sumo-sacerdote e fazer o sacrifício de si mesmo. Ele se encarnou para possibilitar que ofereçamos nossa vida e, se necessário até a nossa morte, como um sacrifício de louvor a Deus. Deus seja louvado! Ele se encarnou. É Natal!!

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