Deuteronômio 1—3

O que o livro de Deuteronômio tem para oferecer ao cristão da nova aliança?

Deuteronômio é um livro muito especial. Ele registra as últimas palavras de Moisés para o povo, antes de Moisés morrer e do povo possuir a terra prometida. Quarenta anos haviam se passado desde a saída milagrosa do Egito, diversas ocasiões de rebeldia, punição e graça de Deus aconteceram ao longo do caminho e toda uma geração havia morrido. “Muitos estudiosos tem notado o estilo sermônico de Deuteronômio, que o destaca dos demais livros de Moisés. Os três discursos são uma combinação de narrativa (lembretes dos atos de Deus) e repetição das leis de Deus. Juntas elas servem para renovar a aliança para uma nova geração”.[1]Por que Moisés escreveu esse livro?

Eugene Merrill apresenta duas: “Primeiro, era importante para o povo compreender quem eles eram, onde eles tinham se originado e o que Deus queria para eles nos próximos anos… Segundo, Moisés estava próximo de sua morte, e assim, era essencial que ele escrevesse toda a coleção de tradição e verdade que ele compreendia ser a própria revelação de Deus.” .[2]

Kendell H. Easley, Holman QuickSource guide to understanding the Bible (Nashville, TN: Holman Bible Publishers, 2002), 40.

O povo está reunido de um dos lados do rio Jordão, no deserto (Dt 1.1). Além do rio está a terra prometida. O objetivo de Moisés é explicar a lei (1.5). Apesar da morte de toda uma geração, o povo é tão numeroso que Moisés afirma que a promessa de Deus a Abraão já se cumpriu (1.10). Na primeira parte do livro, Moisés reconta a história da peregrinação no deserto, enfatizando a rebeldia, murmuração e até presunção do povo, e também a graça paciente de Deus: “o Senhor, vosso Deus, nele vos levou, como um homem leva a seu filho, por todo o caminho pelo qual andastes, até chegardes a este lugar. 32 Mas nem por isso crestes no Senhor, vosso Deus” (1.31-32, veja tb. 1.26-27, 43). Por outro lado, Moisés também mostra para o povo que por vezes, Deus os tratou com grande irá por causa de sua repetida rebeldia e, por causa disso, até mesmo Moisés não pode entrar na terra da promessa (1.34, 37).

Um aspecto muito interessante sobre o Êxodo que aprendemos em Deuteronômio é que nem todos os povos foram tratados com igual rigor por Deus. Houve povos que Deus preservou (edomitas, moabitas, amonitas) por causa de laços familiares com o povo de Deus ou por promessas que Deus fez a tais povos (Dt. 2.8-9, 19). Quanto a outros povos, tendo em vista seu acúmulo de pecados, Deus soberanamente agiu para que o seu povo os destruísse completamente (2.25, 30, 34).

No capítulo 3, o que mais salta aos olhos é Moisés recontando como Deus não o deixou entrar na terra da promessa, apesar de seus pedidos:

23 “Naquela ocasião implorei ao Senhor: 24 Ó Soberano Senhor, tu começaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua mão poderosa! Que Deus existe no céu ou na terra que possa realizar as tuas obras e os teus feitos poderosos? 25 Deixa-me atravessar, eu te suplico, e ver a boa terra do outro lado do Jordão, a bela região montanhosa e o Líbano! 26 “Todavia, por causa de vocês, o Senhor irou-se contra mim e não quis me atender. ‘Basta!’, ele disse. ‘Não me fale mais sobre isso. 27 Suba ao ponto mais alto do Pisga e olhe para o norte, para o sul, para o leste, e para o oeste. Veja a terra com os seus próprios olhos, pois você não atravessará o Jordão. 28 Portanto, dê ordens a Josué, fortaleça-o e encoraje-o; porque será ele que atravessará à frente deste povo, e lhes repartirá por herança a terra que você apenas verá.’ (NVI)

Aplicação: este último fato e aquele de Deus escolher cidades para preservar e outras para punir, nos ensinam sobre a soberania livre de Deus para tratar pecadores de acordo com a sua própria e soberana decisão. Servimos a um Deus grandioso que faz sempre o que é correto. Ele é um Deus totalmente gracioso, basta pensar nas muitas vezes durante o Êxodo que ele desistiu de destruir todo o povo apesar da repetida rebeldia deste. Ao mesmo tempo, nosso Deus é senhor soberano que tem o direito de nos punir quando erramos. Ele disciplina e ele pune a quem quer e quando quer. Agarremo-nos então em sua graça, abriguemo-nos em Cristo e andemos de tal forma a agradar o Senhor do Universo, que ao mesmo tempo trata como amigos aqueles que o servem (“Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo” Êx 33.11).

[1] Kendell H. Easley, Holman QuickSource guide to understanding the Bible (Nashville, TN: Holman Bible Publishers, 2002), 40 (incluindo o mapa). Consultado no Logos Bible Software.

[2] Eugene H. Merrill, Deuteronomy (vol. 4; The New American Commentary; Nashville: Broadman & Holman Publishers, 1994), 26, 27. Consultado no Logos Bible Software.

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