Cristãos. O que são eles? (1 Pedro 1.1-2)

Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas. (1 Pedro 1.1-2)

 

Todo grupo tem suas características próprias: um time, um hábito, uma história comum, um passatempo e um mesmo projeto são coisas que unem pessoas diferentes ao ponto de formarem um grupo. E os cristãos, quais são as características que os unem? O que eles têm em comum? Pedro, o apóstolo, em sua primeira carta, define os cristãos de tal forma que é possível responder a essa pergunta. Ele afirma que os cristãos para quem ele estava escrevendo eram: (1) eleitos, (2) forasteiros da dispersão em várias cidades, (3) eleitos segundo a presciência de Deus Pai, (4) eleitos em santificação do Espírito, (5) eleitos para a aspersão do sangue de Jesus Cristo.

 

A primeira característica que Pedro usa para definir os cristãos é “eleitos”. Essa é também a mais enfatizada, pois é definida mais adiante e é indiretamente repetida. Ser eleito é ser escolhido, selecionado, preferido. Eis a primeira característica dos cristãos: eles foram escolhidos por Deus. E a base dessa escolha não foi o mérito dos próprios eleitos, mas o grande amor de Deus. A graça de Deus foi direcionada a tais pessoas de tal maneira que Deus lhes amou, regenerou, conquistou, perdoou e deu paz. Ele os preferiu, não da mesma forma que se escolhe frutas (as melhores), mas, em vez isso, não fazendo caso de seus defeitos e imperfeições. Antes de definir melhor essa eleição, Pedro salienta outras características daqueles eleitos.

 

Eles eram forasteiros da dispersão em diversos lugares. Dispersão diz respeito a ter sido espalhado por causa de perseguição. Essa era a situação desses cristãos. Eles provavelmente são aqueles que tiveram que fugir de Jerusalém logo após a morte de Estevão (At 8.1-4) ou, talvez, aqueles que fugiram antes de Jerusalém ser destruída em 70 d.C.. O fato é que os destinatários dessa carta estavam espalhados: Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, mas não pertenciam àqueles lugares. Assim é todo cristão. Todo cristão é um peregrino. Um forasteiro neste mundo que ainda vive sob domínio do mal. Todo cristão é um viajante esperando para voltar para terra. Todo cristão também é um perseguido. Ao viver a verdade em um mundo repleto de mentiras ele se torna um incômodo àqueles que o cercam. Ao lançar luz sobre pessoas, eventos e instituições caracterizadas pelas trevas do pecado, o cristão se torna um obstáculo. Ao não se envolver com práticas erradas, conversas de conteúdo pecaminoso e não aceitar propostas indecentes, ele se torna um não conformista que precisa ser silenciado. Assim, como aqueles cristãos para quem Pedro escreveu, você e eu também somos peregrinos e perseguidos.

 

Mas Pedro volta para a questão da eleição a fim de defini-la melhor em relação às pessoas da Trindade. Primeiro, o apóstolo afirma que os cristãos são eleitos “de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai”. Os eleitos são eleitos, porque o Deus que sabe e conhece todas as coisas os elegeu antes da fundação do mundo. Ele quis escolhê-los e de tal forma que a causa última da eleição deles está em Deus e não neles mesmos. Além disso, os cristãos foram eleitos “em santificação do Espírito”. A sua eleição teve como meio não os seus atos santos, mas a santificação do Espírito que lhes seria instilada. A eleição dos cristãos, portanto, implica em que eles devem necessariamente, após a conversão, viver de forma santa. Não perfeitamente, mas verdadeiramente. Os cristãos devem ser caracterizados pela santidade. Em terceiro lugar, a eleição dos cristãos tem dois objetivos ligados à pessoa de Jesus Cristo. Eles foram eleitos para a obediência e a aspersão do sangue. Há um evento histórico objetivo envolvido na eleição dos cristãos: a cruz. Em certo sentido, Cristo morreu para consumar a eleição do Pai. Ele derramou o seu sangue a fim de que os cristãos tivessem seus pecados pagos, a fim de que a ira de Deus se apagasse de sobre eles e a fim de serem habilitados a viver em obediência a Cristo. Não uma obediência de quem é obrigado a obedecer senão é punido, mas uma obediência de quem recebeu tanto amor, que agora que fazer toda a vontade daquele que tanto o amou.

 

Você é cristão? Se você é, você foi preferido, escolhido por Deus. Não por mérito nenhum seu, mas simplesmente porque Ele quis amar você. Viva de acordo com o que você é. Não fique confortável demais, este mundo não é a sua casa. Você é um peregrino. Viva de forma santa e aguente firme as pequenas e as grandes perseguições que aparecerem. Olhe para aquilo que você recebeu de graça: amor, aspersão do sangue de Cristo, possibilidade de santidade. O Deus que conhece todas as coisas resolveu amar você, viva para ele!

 

Você ainda não é cristão? Então, se você está leu essas palavras e entendeu, você está recebendo, hoje, um convite de Deus para o amor, a santidade, o perdão (aspersão do sangue) e a obediência. Aceite a graça de Deus que lhe está sendo oferecida e desfrute de uma paz que nada no mundo pode dar a você. Paz consigo mesmo, com a criação de Deus, com outros cristãos e acima de tudo, paz com Deus.

 

Oração: Deus único e soberano. Não há nenhum outro deus além de ti. O Senhor conhece tudo e todos e age de maneira soberana, pois és Deus. Obrigado por nos eleger. Obrigado, pois esta era a única maneira de sermos feitos filhos de Deus, pois se dependesse de nós, ainda estaríamos tentando preencher a necessidade do nosso coração correndo atrás de ídolos. Obrigado por nos conhecer, obrigado por nos escolher. Obrigado por possibilitar, por meio da obra de Jesus e do Espírito Santo, que vivamos de forma santa e obediente. Ajuda-nos a viver de acordo com o que recebemos de ti. Em nome de Jesus, amém.

 

 

João Paulo Thomaz de Aquino

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