Você tem a mente de Cristo! (1 Coríntios 2.13-16)

2.13 Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.15 Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém.16 Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo. (1 Coríntios 2.13-16)

 

Nesses versos, Paulo volta à sua linha de pensamento principal. Não se perca: toda essa primeira seção de 1 Coríntios (1.10—4.21) tem o objetivo de lidar com o problema da divisão entre os coríntios. Esse problema de divisão tem uma raiz específica e mais de uma manifestação. A raiz deste divisionismo era o orgulho dos coríntios e a outra manifestação, além da disputa entre os membros daquela comunidade, era um ataque à autoridade apostólica de Paulo. Portanto, Paulo escreve esta primeira seção da carta aos coríntios para combater o orgulho, o divisionismo e fazer uma apologia de seu ministério entre os coríntios.

No verso 13, Paulo relembra novamente o conteúdo de sua pregação, tanto em sentido negativo quanto positivo (veja 1Co  2.1, 6). Neste versículo, Paulo reafirma que a sua pregação era, primeiro, baseada em palavras não ensinadas por sabedoria humana e, em segundo lugar, era baseada em palavras ensinadas pelo Espírito. É evidente que falando assim, Paulo coloca todos aqueles que estão se opondo ao seu ministério em oposição às palavras e à obra do Espírito Santo.

Nos demais versículos, 2.14-16, Paulo fala sobre aqueles que têm e os que não têm condições de compreender as palavras que vem do Espírito. Essa é a maior novidade desse pequeno trecho. Quem tem condições de compreender a pregação espiritual? A resposta de Paulo é, novamente, tanto positiva quanto negativa.

No versículo 14 ele fala das pessoas que não têm condições de compreender: Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Esse versículo também tem sido interpretado de forma errada em muitos casos. Algumas pessoas pensam que esse “homem natural” que Paulo apresenta seja um tipo menos santo de cristão, enquanto “homem espiritual” era um cristão modelo. Que fique claro: não existe uma categoria de cristão que possa ser denominada de cristão carnal, e o homem carnal referido por Paulo aqui é um descrente, alguém que ainda não conhece a Cristo nem ao Espírito de maneira pessoal. Ou, na pior das hipóteses, é um cristão que está vivendo muito longe de Deus, como se fosse ímpio e não conhecesse a Cristo. Assim, Paulo deixa claro que sua pregação, espiritual que era, não seria entendida, nem aceita por alguém que ainda não conhecesse a Cristo.

Quem, então, entenderia a pregação espiritual de Paulo? Os versos 15 e 16 apresentam esta resposta: Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo. Os verdadeiros cristãos, habitados pelo Espírito tem discernimento suficiente para aceitar uma pregação que realmente venha do Espírito, pois, estes, tem em si aquele que sonda as profundezas de Deus, e, consequentemente, eles têm a mente de Cristo.

Como aplicar esse texto a nós? Comparados aos coríntios nós temos uma vantagem importante: temos a Bíblia, palavra de Deus revelada, escriturada e colecionada. Ou seja, além de sermos habitados pelo mesmo Espírito e de termos a mente de Cristo, temos também essa regra objetiva chamada Bíblia. Portanto, toda e qualquer palavra e todo e qualquer pregador devem ser aceitos ou não com base nas Escrituras e na habitação do Espírito em nós. Além disso, nós, que também somos tantas vezes seduzidos pela sabedoria e ciência do mundo atual, devemos entender que a sabedoria da palavra vem daquele que o é melhor pesquisador dentre todos, o Espírito, pois ele conhece até mesmo das profundezas de Deus. Concluindo, afirmo que se você é um cristão genuíno, você é habitado pelo Espírito. Você é espiritual, e assim, caracterizado pelos valores do Espírito. Você tem a mente de Cristo. Portanto, não supervalorize os conhecimentos e a vida que nada dizem respeito ao Espírito, mas viva de acordo com o que você é. Você tem a mente de Cristo. Use-a.

 

Oração: Querido Deus. O Senhor não somente nos elegeu na eternidade e salvou no tempo, mas além disso, tu nos deste o teu Espírito, transformaste a nossa natureza e nos deste a mente de Cristo. Portanto, Pai, ajuda-nos a viver de acordo com toda essa realidade. Ajuda-nos, Senhor, a valorizar menos o conhecimento, métodos e valores de nossa sociedade e mais aquilo que o Senhor já nos Deus por causa de teu Filho e por meio do teu Espírito. Oramos em nome de Cristo Jesus, aquele cuja mente temos.

 

João Paulo Thomaz de Aquino

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